Branca de Neve

Branca de NeveEra uma vez uma rainha que sonhava em ter uma filha. Um dia, enquanto costurava perto da janela, espetou o dedo na agulha e uma gota de sangue caiu na neve.
 

— Ela pensou, então: "Quem me dera ter uma filha branca como a neve, com os cabelos negros como o ébano e os lábios vermelhos como o meu sangue!"
 

            Algum tempo depois, seus desejos foram realizados: ela deu à luz uma filha que tinha a pele branca como a neve, os lábios vermelhos como sangue e os cabelos negros como ébano. A princesa foi batizada como Branca de Neve.
 

            Meses depois, a rainha faleceu e, passado um ano, o rei se casou de novo com uma bela e orgulhosa mulher, que não admitia que nenhuma outra fosse mais bonita do que ela. Possuía até um espelho encantado e um dia perguntou-lhe:
 

            — Espelho, espelho meu! Existe no mundo alguém mais bela do que eu?

            — Ah, minha cara rainha, só Branca de Neve possui beleza maior que a sua.
 

            A rainha ficou louca de raiva e ordenou a um caçador que levasse a princesa para passear na floresta e lá, bem longe, desse um fim em sua vida. Como prova de que havia cumprido com a sua missão, a malvada pediu ao caçador que lhe trouxesse o coração da pequena como troféu.
 

            O caçador contou à Branca de Neve o que sua madrasta havia ordenado, mas ficou com pena da linda jovem e resolveu deixá-la ir embora. No lugar do seu coração, levou para rainha o de um animal.
 

            Enquanto isso, a pobre menina, que vagava sozinha pela floresta, viu uma pequena cabana no meio de uma clareira e resolveu entrar lá, para descansar um pouco. Tudo lá dentro era pequeno. Havia uma mesinha coberta por uma toalha e sete pratinhos, sete colherzinhas, sete faquinhas, sete garfinhos e sete copinhos. No quarto, ficavam sete caminhas.
 

            Branca de Neve estava com tanta fome e com tanta sede, que não resistiu e tirou um pouquinho de comida de cada prato e um pouquinho de água de cada copo, pois não queria tomar tudo de uma só vez.
 

            Já era noite quando os donos da cabana voltaram. Eram sete anões, que trabalhavam numa minha. Eles acenderam sete velas e, quando o interior da cabana ficou iluminado, notaram que alguém tinha estado ali.
 

            Um dos anões foi até o quarto e viu Branca de Neve deitada. Chamou, então, os outros, para que a vissem. Ao notarem a doce menina dormindo, todos exclamaram ao mesmo tempo:
 

            — Uau! Que linda!

            Os sete anõezinhos ficaram encantados e resolveram não acordar a bela jovem.
 

            Quando amanheceu, Branca de Neve acordou e ficou assustada ao ver os sete anões. Eles, porém, se mostraram muito amáveis. A menina contou o que aconteceu e eles a convidaram para morar ali e tomar conta da casa enquanto trabalhavam.
 

            No castelo, a rainha voltou a perguntar ao espelho encantado se havia, agora, no mundo, mulher mais bela do que ela.
 

            — Você é muito bela, minha rainha, mas sua enteada vive muito feliz com os sete anões — respondeu o espelho.
 

            A rainha ficou estarrecida quando soube que Branca de Neve ainda estava viva e dirigiu-se a um aposento secreto, de aspecto sinistro. Lá, a malvada preparou uma maçã envenenada e, em seguida, pintou o rosto e se vestiu como uma pobre camponesa. E lá foi ela em direção à cabana dos sete anões.
 

            Quando ouviu batidas na porta, Branca de Neve foi até a janela e disse:

            — Não posso deixar ninguém entrar aqui. Ordem dos sete anões.

            — Não preciso entrar — replicou a madrasta disfarçada. — Só quero um copo d'água.
 

            Branca de Neve atendeu ao pedido daquela pobre senhora que, como agradecimento, tirou uma maçã da sua cestinha e ofereceu à bondosa jovem.
 

            Branca de Neve olhou para a maçã e seu aspecto era tão apetitoso, que realmente dava água na boca. Então, quando mordeu a maçã, caiu mortinha.
 

            A rainha, feliz da vida, voltou para o castelo e consultou o seu espelhou mágico:

            Espelho, espelho meu! Existe no mundo alguém mais bela do que eu?
 

        Em verdade não há, minha senhora — respondeu o espelho. A rainha deu pulos de alegria.
 

            Quando voltaram para casa, os sete anões encontraram Branca de Neve estendida no chão, imóvel, sem respirar. Eles a colocaram em um caixão de cristal e se sentaram ao redor, chorando sem parar durante três dias.
 

            Um príncipe que passava pela floresta, viu o caixão e, dentro dele, a linda Branca de Neve.
 

            — Por favor, me deixem levar o caixão. Darei o que vocês quiserem em troca — disse o príncipe.
 

            Os anões, porém, responderam:

            — Não nos separamos dela nem em troca de todo o ouro que há no mundo!

            — Velarei por ela como o meu bem mais precioso — insistiu o príncipe.
 

            Ao ouvirem aquelas palavras, os bondosos anões acabaram concordando.

            O príncipe partiu levando o caixão, que foi carregado por seus soldados. De repente, eles tropeçaram em um toco de árvore e o caixão quase caiu. Balançou tanto, que o pedaço de maçã envenenada saltou da boca de Branca de Neve; ele estava atravessado na sua garganta. Logo em seguida, ela abriu os olhos e perguntou:

            — Onde estou? — gritou a bela jovem.

            — Está comigo! — exclamou o príncipe, contando tudo o que aconteceu. E ele concluiu: — Eu te amo mais do que qualquer coisa no mundo. Venha comigo ao palácio do meu pai. Você será minha esposa.
 

            Branca de Neve aceitou o pedido e o casamento se realizou com a maior pompa. A madrasta também foi convidada para a festa.
 

            Quando chegou ao casamento e reconheceu Branca de Neve, ela ficou com tanta raiva e tanto medo, que foi incapaz de dar um passo. Na mesma hora, teve um troço e caiu durinha.

 

 


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