Bumba meu Boi

Bumba meu Boi
A festa do Bumba Meu Boi é um das mais tradicionais do norte e nordeste brasileiro, mas, na verdade já ficou famosa em outras regiões do país!

Tecnicamente pode ser chamada de auto , ou seja, uma apresentação em que se mistura teatro, dança, música e circo.  

Nesta apresentação há sempre uma história dramática, muitos personagens e muita animação!

Segundo os pesquisadores, a origem desse auto retoma ao Ciclo do Gado, no Séc. XVII ocasião em que o boi tinha importância econômica e acabou virando também uma figura simbólica. Na época predominava a mão de obra escrava e a história contada reflete bem a hierarquia social e o autoritarismo da época.

Enredo dramático

Existem várias versões para o bumba meu boi e a mais popular conta sobre a escrava Catirina que está grávida e pede ao marido Chico para comer língua de boi, pois está com esse desejo.

O escravo, para atender a esposa, mata o boi preferido de seu patrão, o poderoso Coronel, e por isso é preso. Inconformado o Coronel usa os poderes dos curandeiros para trazer seu boi de volta, até que finalmente ele é ressuscitado, o escravo é solto e tudo acaba em festa.

Outros personagens podem entrar na história para dançar, dependendo do tipo de boi: Bastião, Arlequim, Pastorinha, Turtuqué, o engenheiro, o padre, o médico, o diabo etc., todos quase sempre interpretados por homens, que se travestem para compor os personagens femininos.

O boi

O boi, figura central do auto, geralmente é feito com uma armação de cipó coberta de chita, grande o bastante para que um homem a vista. A cabeça que pode ser feita de papelão ou com a própria caveira do animal.

Ele é representado sob os mais diferentes nomes em localidades que vão do Rio Grande do Sul (como boizinho) e Santa Catarina (boi-de-mamão) aos estados do Nordeste (boi-de-reis) e o Amazonas (boi-bumbá).

Personagens

Como já vimos, o principal personagem é o boi , mas existem outros personagens que também animam a festa, veja só:

Capitão: é o comandante do espetáculo;

Amo: representa o papel do dono da fazenda, comanda o grupo com auxílio de um apito e um maracá, canta as toadas principais;

Pai Chico ou Mateus: é o escravo que mata o boi;

Mãe Catirina ou Catirina: esposa do escravo, que tem o desejo de comer a língua do boi;

Vaqueiros: também chamados de rajados ou caboclos de fita:  são os que recebem a responsabilidade de encontrar pai Chico e o boi sumido;

Índios, índias e caboclos: têm a missão de prender Pai Chico. Na apresentação do boi, proporcionam um belo efeito visual, devido à beleza de suas roupas e da coreografia que realizam;

Burrinha: aparece em alguns grupos de bumba meu boi. Trata-se de um cavalinho ou burrinho pequeno, com um furo no centro por onde entra o brincante. A burrinha fica pendurada nos ombros do brincante por tiras similares a um suspensório;

Cazumbá: personagem divertido, às vezes assustador, que aparece em algumas apresentações. Usa batas coloridas e máscaras de formatos e temática muito variada.

Parintins é a cidade!

A cidade de Parintins fica no Baixo Amazonas, na ilha fluvial de Tupinambara, fronteira entre os estados Pará/Amazonas. Tem cerca de cem mil habitantes e fica a “todo vapor” na época do Festival do Boi Bumbá, porque a cidade recebe milhares de turistas que podem ficar alojados em barcos! Isso mesmo, em barcos que funcionam como hotéis ou dormitórios.

Isso é possível porque algumas empresas, patrocinam iates amazônicos com características de “cinco estrelas”, onde os turistas desfrutam do máximo de conforto e mordomias para ficar bem preparados para a festa.

Existe também o “Bumbódromo”, inaugurado em 24 de junho de 1988, com capacidade para 35 mil pessoas. É um estádio descoberto, em formato aproximado da cabeça do boi.

Na cidade há um desfile em que participam dois blocos principais: o bloco do Boi Caprichoso , representado pela cor azul e o bloco do Boi Garantido representado pela cor vermelha.

As torcidas tem que seguir algumas tradições, como por exemplo: os torcedores não podem se misturar, um torcedor jamais fala o nome do outro boi, apenas se refere a ele como “contrário” e também somente os nativos podem desfilar, ou seja, nenhum turista pode participar dos blocos.

 

Cada torcida tem que ter criatividade para defender seu preferido e nessas horas vale tudo, até mesmo pintar a casa inteira com a cor de seu boi.

No desfile…

A riqueza e exuberância das cores da floresta amazônica estão sempre presente na confecção das roupagens e alegorias. Embora alguns personagens da lenda já não sejam tão importantes, no conjunto os figurinistas primam por oferecer um espetáculo de bastante colorido e alegria.

As regras do desfile permitem que cada grupo se apresente por três horas, e existem muitos quesitos a serem julgados. Outra regra interessante é que os jurados só podem usar canetas verdes para poderem demonstrar imparcialidade na hora do julgamento.

 As músicas cantadas são toadas que, acompanhadas por mais de 400 ritmistas, mantêm os “bois” dançando na arena durante o desfile. As letras dessas toadas falam sempre de lendas e mitos amazônicos, imitam os cantos dos pássaros e os sons da floresta, mas contam também o cotidiano do homem nativo, como pescadores, seringueiros e habitantes das margens dos rios.

O ponto mais atraente das apresentações são os rituais indígenas, quando dezenas de tribos são representadas por suas diferentes vestimentas, danças e pintura corporal. Contam a saga das nações indígenas que saíram do litoral buscando o refúgio da mata amazônica, num espetáculo chamado de ópera-cabocla.

Curiosidade

 

Se o festival de Parintins fosse em homenagem aos animais da região amazônica, sem dúvida, a festa teria como personagem principal a onça pintada e não um boi, mas ele  representa uma homenagem há centenas de nordestinos que saíram de sua terra para tentar a vida na extração da borracha da seringueira da Amazônia, levando consigo a tradição do boi.

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