Ídolos do Futebol Didi

Ídolos do Futebol Didi

 Antes da aparição de Pelé, o Brasil não se considerava à altura dos adversários estrangeiros. Especialmente depois de 1950, quando a derrota na final da Copa, para o Uruguai, enterrou de vez o orgulho nacional.

 

Foi nesta fase de duras penas que o Brasil criou um de seus maiores meio-campistas de todos os tempos. Waldir Pereira, o Didi, teve, em sua carreira de 18 anos, desde as maiores agruras como as maiores glórias de um futebolista.

 

Destro, Didi era dono de uma visão de jogo invejável, que aliada à sua passada elegante e a um passe preciso, lhe valeram apelidos como “Príncipe Etíope”, dado pelo escritor Nélson Rodrigues, como “Mr. Football”, numa das definições utilizadas pela imprensa internacional.

 

Didi começou sua carreira pelo Americano de Campos, mas despontou mesmo no Fluminense, onde conquistou seu primeiro título carioca em 1951. No clube, apesar de seu talento, era visto como irregular. Participou da cinzenta participação brasileira na Copa de 1954, na Suíça, e na tristemente célebre “Batalha de Berna”, um quebra-pau entre brasileiros e húngaros depois da vitória do esquadrão de Puskas.

 

Em 1956, passou ao Botafogo, onde seria campeão carioca por três vezes e formaria um time inesquecível ao lado de Garrincha. Inventou a “Folha seca”, uma cobrança de falta venenosa, cheia de efeito, que fazia a bola cair de repente matando os goleiros. E foi a “Folha Seca” que classificou o Brasil para a Copa de 1958, contra o Peru, em pleno Maracanã, O Brasil tinha empatado em Lima e estava no 0 x 0, a oito minutos do final.

 

Na Suécia, a consagração final. Didi, Garrincha, Bellini e companhia viram o nascimento de Pelé e estavam à altura do Rei que nascia. Foi o comandante do meio-campo arrasador do Brasil. Na final, quando a Suécia marcou o primeiro gol, Didi pegou a bola no fundo das redes brasileira e disse. “Não tem problema. Vamos virar este jogo”. O Brasil venceu por 5 x 2 e foi campeão do mundo.  

 

No ano seguinte, Didi foi comprado pelo Real Madrid, mas não brilhou. Di Stefano e Puskas, os “donos” do time, não deram espaço para o brasileiro brilhar, de acordo com o próprio. A verdade é que, alem da guerra de egos, a mulher o jogador não se adaptou, e Didi voltaria ao Botafogo em 1961.

 

Em 1962, outra Copa do Mundo. E contra a Espanha, uma vitória particular de Didi sobre Puskas, que tinha se naturalizado. Com Pelé machucado, Didi deu guarda a um outro craque que surgia – Amarildo, o possesso – que arrasaria todos os adversários. Brasil bicampeão do mundo.

 

Logo depois da Copa foi para o Peru, jogar no Sporting Cristal, e teve também uma passagem pelo São Paulo, antes de se aposentar. Virou técnico, e na Copa de 1970, sua seleção só foi parada pelo Brasil campeão. Durante um treino da seleção peruana, Didi sofreria uma contusão na coluna que se agravaria com o passar dos anos. Quase ficou aleijado, mas acabou se recuperando.

 

Didi considerava as Seleções de 1958 e de 1970 como as maiores de todos os tempos. “Meu sonho seria o de ver as duas juntas. Gostaria que o Brasil pudesse jogar o primeiro tempo com a Seleção de 1958 e o segundo com a de 1970. As duas eram equivalentes em talento”.

 

Em maio de 2001, Didi sofreu uma cirurgia no aparelho digestivo e acabou falecendo em decorrência de complicações pós-cirúrgicas. Sua morte foi lembrada em todo o mundo. O Real Madrid realizou um minuto de silêncio pela morte do craque, antes de uma partida pelo Campeonato Espanhol. A definição mais precisa de Didi foi dada pelo eterno fã, Nelson Rodrigues: “Numa finta de Didi está a ginga eterna de mil gafieiras”.

 

·         Nome: Valdir Pereira

·         Nascimento: Rio de Janeiro, em 08/10/1929

·         Posição: Meio-campista

·         Clubes: Americano (1945), Lençoense (1945), Madureira (1946), Fluminense (1946-1956), Botafogo (1956-1962 e 1962-1963), Real Madrid (1962-1963), Sporting Cristal (1963) e São Paulo (1963)

·         Títulos: Campeão Carioca de 1951, pelo Fluminense, e de 1957, 1961 e 1962, pelo Botafogo, Campeão Mundial (1962 e 1963)

·         Jogos pela seleção: 85

·         Gols: 31

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