Ídolos do Futebol Maradona

Ídolos do Futebol Maradona

O gênio que se destruiu

Se Pelé não tivesse existido, a Argentina talvez tivesse tido o maior jogador de todos os tempos. A eterna rivalidade entre os dois foi fomentada por uma votação feita pela Fifa, na Internet, e que escolheu Maradona como o melhor. Não é exagero dizer que o argentino foi o jogador que chegou mais perto de Pelé, e se tivesse tido um final de carreira menos atribulado, teria ameaçado ainda mais o reinado do rei do futebol.

 

 Maradona nasceu em Lanús, Argentina, e começou a jogar num time chamado Los Cebolitos. Apareceu para o esporte nas competições de divisões inferiores da Seleção Argentina e no Argentinos Juniors, um pequeno clube da primeira divisão. Passou para o Boca Juniors, assumidamente a sua grande paixão, mas acabou indo rapidamente para o Barcelona.

 

 Na Catalunha, ainda não explodiu. Venceu uma copa doméstica e acabou vendido para o Napoli, time do sul da Itália, dono de uma fanática torcida. E na região da Campânia, lapidou o seu talento para se tornar um dos maiores gênios que o futebol já tinha conhecido.

 

 Maradona foi um meio-campista de habilidade ímpar. Baixinho e gordinho, era sobre-humano ao fazer lançamentos para os atacantes de seus times. Era perfeito em quase todos os fundamentos, mas no drible, fazia jogadas cinematográficas, enfileirando adversários atrás de si.

 

 No Napoli, se tornou um deus, com um fanatismo religioso da torcida. A gratidão era toda justificada. Napoli sempre foi uma cidade desprezada pelo norte da Itália e as vitórias do time em campo eram uma injeção de orgulho na população. Junto com o brasileiro Careca, Maradona fez uma grande dupla, levando o time do Vesúvio a resultados nunca antes conquistados.

 

Maradona poderia ter disputado já a Copa de 1978, em seu país, mas não tinha um bom relacionamento com o técnico César Luis Menotti. Sua estréia ficou para 1982, mas também não seria feliz. Sua Argentina, a mesma de 1978, envelhecida, tomou um baile do Brasil na segunda fase e o jovem e irritadiço Maradona acabou expulso.

 

 Se soubesse qual era o seu destino na Copa seguinte, Maradona teria dado de ombros. Com um time modesto, o argentino jogou um torneio espetacular e levou a taça para Buenos Aires. Durante a competição no México, ainda entraria para a história com três gols inesquecíveis: um golaço contra a Bélgica, um gol de mão, contra a Inglaterra, que ele mesmo disse que foi feito “com a mão de Deus” e outro, também contra os pobres ingleses, que é considerado o gol mais bonito da história das Copas.

 

 Os quatro anos seguintes teriam o auge do futebol de Maradona no Napoli, mas em 1990, seu prestígio começaria a cair. O craque teve um filho, fora do casamento, com uma napolitana e não assumiu a criança, o que era inaceitável para os padrões da conservadora Napoli. Mesmo assim, depois disso, conseguiu fazer com que a torcida se dividisse na semifinal da Copa do Mundo, no estádio San Paolo: metade do estádio torcia para Maradona, contra a própria Itália! A “Azzurra” seria desclassificada pelo gênio, mas cairia diante da Alemanha, que ele tinha derrotado quatro anos antes.

 

 Logo depois da Copa, um episódio iniciaria a derrocada do jogador. Maradona seria preso com cocaína, com uma subseqüente suspensão. Maradona saiu do Napoli e começou a vagar por outros clubes, ao mesmo tempo em que disparava declarações polêmicas aos borbotões. Chega a Copa de 1994, mas o craque é novamente pego no anti-doping, desta vez com efedrina, um fármaco usado para emagrecer. “Fui pego numa arapuca da Fifa”, disse, depois de sua eliminação.

 

 O final da década teve uma infinita lista de “despedidas”, sempre acompanhados de entrevistas bombásticas. O vício da droga nunca mais abandonou Maradona, que desenvolveu uma séria complicação cardíaca e se auto-exilou em Cuba para tratamento. Um triste fim para um gênio do quilate de “Dieguito”.

 

·         Nome: Diego Armando Maradona

·         Nascimento: Lanús, Argentina, em 30/10/1960 

·         Posição: Meia-atacante

·         Clubes: Argentinos Juniors (1976-1981), Boca Juniors (1981-1982), Barcelona (1982-1983), Napoli (1983-1991), Sevilha (1992-1993), Newell’s Old Boys (1993-1994), Boca Juniors (1995-1996)

·         Títulos: Mundial de Juniores (1979), Campeonato Argentino (1981), Copa da Espanha (1983), Copa da Itália (1987), Campeonato Italiano (1987), Copa da Uefa (1989), Campeonato Italiano (1990), Copa do Mundo (1986)

·         Jogos pela seleção: 90

·         Gols pela seleção: 34

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