Ídolos do Futebol Sócrates

Ídolos do Futebol Sócrates

O gênio idealista com toque de calcanhar

A Alemanha sempre teve bons atacantes. Se não tinham a ginga de um Romário ou a inteligência de um Tostão, os centroavantes alemães sempre foram igualmente implacáveis para marcar gols, com um estilo mecânico, frio, determinado e eficiente.

 

Quando se fala em atacantes do país, o primeiro nome que vem à mente é Gerd Muller, genial avante que se sagrou campeão mundial em 1974, na histórica seleção de Beckenbauer. Mas um jogador um pouco anterior não ficou devendo nada à capacidade de chegar às redes de Muller.

 

Uwe Seeler foi um atacante de um clube só, como costumava ocorrer mais freqüentemente no passado. Ele nasceu na cidade de Hamburgo, na Alemanha Ocidental. Em Hamburgo, o jogador se profissionalizou, viveu toda a sua carreira e aposentou-se, virando presidente do clube. E marcou gols.

 

E como marcou. Seeler fez nada mais nada menos que 551 gols pelo Hamburgo no campeonato da extinta Alemanha Ocidental, em 700 partidas disputadas, ao longo das 19 temporadas em que jogou. Foi o artilheiro em cinco temporadas do torneio, vencendo-o apenas uma vez. Também conseguiu conquistar uma Copa da Alemanha.

 

Seeler era um jogador alemão típico. Obstinado, não cedia a nenhuma pressão ou marcação. Tinha um senso de colocação excepcional e era preciso e potente nos arremates com os dois pés e no cabeceio. Foi o maior goleador alemão antes de outro prodígio, o seu sucessor Gerd Muller.

 

Sua dedicação ao Hamburgo foi um verdadeiro caso de amor. Ao longo de sua carreira, sua capacidade de marcar gols chamou a atenção de clubes gigantes da Espanha e da Itália, mas sempre ouviram o “não” do atacante, que preferia ficar em sua terra natal.

 

Disputou 21 partidas em quatro Copas do Mundo (de 1958 a 1970) e marcou gols em todas elas, uma marca que só foi conseguida por Pelé. Em 1966, foi o capitão do time da Alemanha Ocidental na

Copa, e marcou um gol na final, que deixou sua seleção em momentânea vantagem na partida.

 

Na Copa seguinte, Seeler, já com 34 anos, alterou sua forma de jogar. De centroavante, passou a jogar um pouco mais recuado, dando lugar à ascensão de Gerd Muller. Diz-se que antes de conhecê-lo, Telê Santana não gostava de Sócrates pelo seu temperamento rebelde e avesso às ordens superiores. Mas convencido pelo futebol encantador do corintiano, Telê resolveu dar uma chance. E acabou conquistado pelo homem sensível e pelo líder nato, além da técnica ímpar. Tanto que foi seu capitão em 1982.

 

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira nasceu em Belém do Pará, em 23 de fevereiro de 1954. “Não pensava em me tornar jogador de futebol. Aliás, sempre me planejei para ser médico”, disse o craque, numa entrevista. O meia de pernas finas, passadas largas e toques precisos era o relógio da seleção devastadora de Telê Santana em 1982, cujo talento foi refinado num Corinthians em que ele implantou uma democracia “à força”.

 

O futebol do “Doutor” apareceu ainda em Ribeirão Preto, no Botafogo-SP, onde dividia seu tempo entre a faculdade de medicina e o esporte. Em 1978, depois de não ter sido convocado, rumou para o Corinthians, clube no qual faria história como um de seus maiores jogadores em todos os tempos. Lá, implantaria, apoiado por Casagrande e Biro-Biro, a “Democracia Corintiana”: um regime no qual os cartolas eram colocados de lado e até as contratações eram decididas pelos atletas.

 

Na Copa de 1982, Sócrates foi um dos destaques e o capitão numa máquina que tinha gênios de sobra. Falcão, Toninho Cerezo, Zico, Júnior e Éder fizeram a alegria da torcida, sempre municiados pelo faro do meia, que não deixava de fazer gols, mas tinha na visão de jogo e no raciocínio instantâneo as suas maiores armas.

 

A derrota para a Itália foi um golpe para o jogador. “Perder aquela copa foi um baque. Esperávamos ficar mais tempo e fomos surpreendidos. A derrota de 1986 também foi dura, mas não se compara à de 82”, disse o craque.

 

De volta ao Brasil, o jogador se dedicou ainda mais à política, empolgado pela campanha pelas eleições diretas para presidente que a oposição empunhava. “Se a emenda pelas eleições diretas não for aprovada, eu vou embora do Brasil”. A emenda foi rejeitada e o meia, com o coração na mão, deixou-se seduzir pela proposta da Fiorentina, em 1984.

 

Em Florença, não teve nem lampejos do talento que o tinha consagrado no mundial. A saudade de casa era uma constante e Sócrates decepcionou a torcida fanática da cidade. Voltou ao Brasil para jogar no Flamengo. Infelizmente uma contusão fez com que sua passagem pela Gávea também fosse pouco produtiva. Jogou também pelo Santos, antes de encerrar sua carreira, para exercer a medicina.

 

Hoje Sócrates continua com o gosto apurado pela polêmica. É um dos ex-jogadores mais ativos no combate à atual gestão do futebol brasileiro pela CBF e pela cartolagem. Já lançou sua candidatura à presidência da entidade por diversas vezes.

 

·         Nome: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira

·         Nascimento: Belém (PA), Brasil, em 19/2/1954

·         Posição: Meio-campista

·         Clubes: Botafogo (1970 a 1978), Corinthians (1978 a 1984), Fiorentina (1984 a 1985), Flamengo (1986), Santos (1988), Botafogo-SP (1989)

·         Títulos: Botafogo (1970 a 1978), Corinthians (1978 a 1984), Fiorentina (1984 a 1985), Flamengo (1986), Santos (1988), Botafogo-SP (1989)

·         Jogos pela seleção: 63

·         Gols pela seleção: 25

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